Coronel Augusta Andrade assume a SSP-MA com uma trajetória forjada na hierarquia das forças de segurança. No mesmo país em que o Congresso resiste a pautar direitos das mulheres, ela chega ao topo sem precisar de discurso.
O governador Carlos Brandão nomeou a coronel Augusta Andrade para comandar a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA).
De acordo com o governador Carlos Brandão, entre os principais objetivos da nova secretária estão:
• Reforçar o combate à criminalidade,
• Fortalecer o sistema de segurança pública,
• Garantir proteção à população,
Anunciada nas redes sociais do governador nesta segunda-feira (16), a decisão coloca uma mulher de carreira à frente de uma das pastas mais sensíveis do Estado , cargo historicamente dominado por homens.
Augusta é coronel da Polícia Militar do Maranhão e diretora de Segurança Institucional da Defensoria Pública do Estado do Maranhão. Ela foi a segunda mulher a alcançar a patente de coronel da PM maranhense.
Ela ganhou reconhecimento no Maranhão pelo trabalho à frente da Patrulha Maria da Penha, em São Luís, coordenando ações voltadas à proteção de mulheres vítimas de violência doméstica.
Durante o período em que esteve à frente da iniciativa, mais de 2 mil mulheres foram atendidas pela patrulha, com ações voltadas à prevenção de agressões e ao acolhimento das vítimas.
Augusta não desembarca no cargo por concessão simbólica. Vem pela trilha dura da patente , onde cada avanço cobra tempo, disciplina e enfrentamento silencioso. Em instituições que não facilitam atalhos e cobram o dobro de quem ousa romper a inércia, sobretudo mulheres, ela acumulou lastro.
A farda não cumpre papel decorativo. É registro de percurso, arquivo vivo de comando, decisão e hierarquia. Por isso, sua nomeação não cabe na moldura do gesto protocolar. Tem densidade política, altera a geometria do poder e desloca o centro de gravidade de uma área acostumada a repetir os mesmos rostos.
Competência antes de simbolismo
A escolha prioriza competência sobre representação. O Brasil tem histórico de nomeações simbólicas vazias, perfis escolhidos pela imagem, não pelos resultados. Augusta foge dessa armadilha.
Ela assume com missão clara do governador: fortalecer o sistema de segurança e intensificar o combate à criminalidade. O Maranhão, não tolera experimentos. A aposta parece fundamentada.
O simbolismo se impõe sem esforço: uma mulher ocupa o topo de um dos redutos mais blindados do poder masculino, a segurança pública. Não acena com panfletos nem recorre a slogans. Assina despachos, move estruturas, desloca o eixo de decisões que por décadas circularam no mesmo circuito fechado. Aqui, o possível deixa de ser promessa e ganha forma no ato.
O contraste brutal com Brasília
No Brasil onde o Congresso transforma representação em performance, deputados federais enterram pautas pró-mulher no rodapé da agenda e entregam a presidência da Comissão da Mulher como quem distribui troféu de consolação ideológico. Paridade no palanque. Assimetria no poder.
O Maranhão não pediu licença para ser diferente, e não precisou.
Enquanto Brasília ainda mastiga o tamanho do símbolo, o estado entrega comando da segurança publica a uma mulher de patente. Sem aspas. Sem cota. Sem cerimônia. É a distância exata entre nomear para aparecer e nomear para governar. Entre o gesto vazio e a consequência concreta. A diferença no Maranhão tem nome: mérito, responsabilidade , competência e representatividade feminina real.
O titular desta página deseja a Coronel , todo sucesso nesta nova empreitada na segurança púlicaca do nosso Estado.















