No pragmático xadrez político maranhense, a força de um mandato é medida pela densidade de sua retaguarda. Ao eleger a presidente do IEMA e dirigente petista, Cricielle Muniz , como alvo de uma artilharia que transborda da tribuna para o Judiciário, o deputado estadual Othelino Neto (PSB) parece ter subestimado a regra básica da sobrevivência partidária: o isolamento é o prelúdio da derrota.
Há um erro de sintonia fina no gesto do parlamentar. Escolher o mês de março período de simbolismo incontornável para a pauta feminina para fustigar uma gestora de destaque, revela um Percepção do tempo político desastroso. O argumento central de Othelino de que Cricielle seria “mais candidata que gestora”carrega uma premissa anacrônica que raramente é aplicada aos seus pares masculinos na Assembleia Legislativa (ALEMA).
Ao exigir de uma liderança feminina uma neutralidade técnica que não cobra de outros aliados, o deputado flerta com um viés seletivo que gera desgaste imediato perante a opinião pública e os movimentos sociais.
A reação do Partido dos Trabalhadores não foi apenas uma nota de solidariedade; foi um fechamento de fileiras institucional. Ao afirmar que “atacar Cricielle é atacar o PT”, a legenda não apenas blindou sua dirigente, mas traçou uma linha clara no chão.
Nos bastidores onde as alianças para 2026 são costuradas, o recado é lido como uma sentença: quem ataca o “time do Lula” no estado, autoexclui-se da mesa de negociações. Para um parlamentar cujo capital político depende de coligações e densidade de grupo, o vácuo de apoio em torno de seu nome é certo. Enquanto o PT demonstra coesão, Othelino opera, no momento, em uma ofensiva solitária.
Política exige retaguarda. Quem abre fogo precisa de aliados que assinem embaixo e de lideranças que emprestem o nome à cruzada. No caso atual, o que se observa é o silêncio de seus pares. Não há manifestos de apoio ou discursos que validem sua narrativa de “denúncia”.
Do ponto de vista da comunicação estratégica, o resultado é nítido: Cricielle consolidou-se como a liderança que resistiu a um ataque de matiz sexista no momento mais simbólico do calendário. Othelino, por sua vez, surge como o atirador que, ao tentar isolar uma adversária, acabou documentando o próprio exílio político.
O calendário eleitoral é implacável com quem perde a âncora. Com a eleição de 2026 no horizonte, resta saber se o deputado calculou o custo desse isolamento ou se, simplesmente, esqueceu de mapear o terreno antes de dar o primeiro tiro.
Atacar uma gestora reconhecida justamente no mês dedicado às mulheres, e fazê-lo sem um grupo político minimamente consolidado para 2026, é mais do que um erro de cálculo. É um gesto de autossabotagem em plena luz do plenário.
No fim, restaram ele, a tribuna e o eco da própria voz em aflição. E, no rastro do disparo mal calculado, Seu aliado Camarão apareceu boiando no cenário, náufrago político em mar aberto, agarrado a tábuas de ocasião, à procura de um porto que ninguém parece disposto a oferecer.
A nota do PT não é apenas uma defesa de Cricielle. É a documentação pública de que o deputado estadual Othelino tentou isolar uma liderança petista e saiu da operação mais isolado do que entrou.

















