Medida do Ministério Público acende alerta máximo e acelera erosão da pré-campanha.
A peça, assinada pelo procurador-geral Danilo José de Castro Ferreira, não economiza na gravidade. Pede afastamento cautelar sob suspeita de um fluxo financeiro que não conversa com a renda oficial. No mesmo pacote, aparecem os nomes dos policiais militares Thiago Brasil Arruda e Alexandre Guimarães Nascimento. O caso corre sob sigilo, nas mãos do desembargador Sebastião Bonfim. Até agora, nenhuma decisão. O silêncio do tribunal, nesse contexto, pesa.
Os números não sussurram. Gritam. Relatórios do Coaf apontam R$ 1,72 milhão em créditos salariais e outros R$ 4,64 milhões de origem difusa nas contas de Camarão. Há 230 depósitos sem trilha clara, R$ 360 mil fracionados método clássico para driblar o radar e um volume de R$ 6,3 milhões em transferências via PIX, pulverizado entre 1.085 destinatários. Não é ruído contábil. É um padrão que exige explicação.
O relatório também indica que a conta principal do vice-governador concentrou mais de R$ 6,3 milhões em saídas, incluindo pagamentos de cartão, despesas imobiliárias e transferências a terceiros.
Nos coadjuvantes da investigação, a escala cresce. Thiago Brasil Arruda teria movimentado R$ 9,6 milhões em dois anos, com renda mensal estimada em R$ 20 mil. Alexandre Guimarães Nascimento passa da casa dos R$ 10 milhões sem lastro declarado. A matemática não fecha. E quando a matemática não fecha, a política sangra.
O momento é cruel. Pré-candidato ao governo, Camarão já afunda nas pesquisas. Surge com 7% das intenções de voto, muito atrás de Eduardo Braide, que lidera acompanhado de perto, por Orleans Brandão e Lahesio Bonfim
A investigação não apenas arranha a imagem já desgastada por outros eventos negativos. Ela expõe uma fragilidade que nem o melhor marketing recompõe. Em campanha, percepção é tudo e a percepção, agora, é de descontrole e desespero.
A defesa reage como manda o manual: nega, invoca sigilo, fala em perseguição política e aciona a Polícia Federal para investigar vazamentos. Mas há um dado incômodo que não se dissolve em nota oficial: o processo existe, os números estão postos e o pedido de afastamento está sobre a mesa do tribunal.
Nos bastidores, o ambiente lembra um velório sem corpo, sob um clima de contenção fúnebre. Aliados escolhem cada passo como quem pisa em vidro, calibrando gestos e falas. Do outro lado, não há necessidade de ataque os fatos se impõem com frieza e falam por si.
Sem horizonte para julgamento, o processo sob sigilo avança como uma sombra compacta, dessas que não cedem à retórica. Se o tribunal acatar a medida, não será um ato burocrático. Será uma lâmina direta sobre uma pré-campanha natimorta, que jamais encontrou fôlego real.
A insistência em seguir adiante já não soa como estratégia, mas como obstinação cega. Arrasta o partido PT para um desgaste evitável, corrói sua própria base imaginária e expõe um projeto que, na prática, nunca ninguém aceitou.















