Governo arrecada mais, gasta mais e mantém as contas no vermelho, enquanto o contribuinte cobra respostas sobre o destino do dinheiro público.
Arrecadação cresce, despesas avançam e a dívida pressiona as contas públicas. Na reta final da disputa presidencial, o governo petista precisa explicar por que o brasileiro deveria renovar um mandato sem uma solução convincente para o desequilíbrio fiscal.
O governo Lula quer continuar por mais quatro anos no Palácio do Planalto, mas os números das contas públicas impõem uma pergunta incômoda: com as despesas superando as receitas, qual é o plano para tirar o Brasil dessa rota de endividamento?
Entre janeiro e agosto de 2026, o Governo Central acumulou resultado primário negativo de R$ 94,9 bilhões, acima dos R$ 85,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025, segundo dados do Ministério da Fazenda.
A arrecadação aumentou, mas não impediu a piora do saldo fiscal. O governo recebe mais, gasta mais e continua sem apresentar, nos resultados acumulados, o equilíbrio que o país precisa perseguir.
A conta não fecha, e o discurso não paga a dívida
As projeções do mercado apontam déficit primário de aproximadamente R$ 53 bilhões para 2026. A dívida bruta do Governo Geral, por sua vez, tem estimativa de alcançar 83,4% do PIB.
É preciso esclarecer: o déficit primário não inclui os juros da dívida. O custo total do endividamento é, portanto, ainda mais amplo.
Não se trata de condenar políticas sociais nem de defender cortes indiscriminados. Trata-se de cobrar responsabilidade na administração do dinheiro público. Prometer benefícios é fácil; explicar como financiá-los de forma sustentável é a verdadeira prova de competência.
Datafolha expõe um país dividido
A pressão fiscal se soma ao desgaste político. Pesquisa Datafolha divulgada em 22 de outubro aponta que 39% avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo, enquanto 36% o classificam como ótimo ou bom. Outros 24% consideram a gestão regular.
Os números indicam empate técnico entre avaliações positivas e negativas, dentro da margem de erro. Não há rejeição majoritária comprovada nesse indicador, mas tampouco existe uma aprovação folgada capaz de encerrar o debate sobre o desempenho do governo.
Mais quatro anos de quê?
O eleitor não deve um novo mandato a nenhum presidente. A continuidade precisa ser conquistada com resultados, transparência e propostas viáveis.
Se o governo pretende permanecer no poder, precisa explicar como reduzirá o desequilíbrio fiscal, conterá a expansão das despesas e estabilizará a dívida. Não basta apontar adversários, anunciar novos programas ou transformar arrecadação crescente em propaganda.
O Brasil não precisa de um governo que apenas arrecade mais para continuar gastando mais. Precisa de gestão, prioridades claras e responsabilidade com cada real do contribuinte.
A pergunta que Lula precisa responder não é apenas por que merece mais quatro anos. É o que fará de diferente para que o país não continue pagando a conta de um desequilíbrio que ainda não foi resolvido.
















