No Brasil pais dos absurdos , onde a política insiste em invadir todos os espaços, nem mesmo o Supremo Tribunal Federal escapa das disputas regionais. A presença de Flávio Dino na mais alta Corte é exemplo vivo dessa sobreposição de mundos: o da magistratura e o da política.
Ex-governador do Maranhão e hoje ministro do STF, Dino tornou-se protagonista de embates que ultrapassam o campo jurídico. Sua atuação em processos relacionados ao próprio Estado de origem tem alimentado questionamentos sobre até que ponto é possível separar a toga do palanque.
O episódio mais simbólico ocorreu na disputa pela vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA). O governador Carlos Brandão (PSB) defendia o nome de um aliado pessoal, o advogado Flávio Costa. O grupo político de Dino, por sua vez, preferia o deputado estadual Carlos Lula (PSB), ex-secretário de Saúde de sua gestão. A divergência, que começou como embate político, chegou ao Supremo, com Dino na relatoria.
A partir daí, as críticas se multiplicaram. Para adversários, a condução do caso equivale a uma intervenção indireta de Dino em favor de antigos aliados. Para o ministro, trata-se apenas do exercício técnico da função, sem qualquer motivação política.
O cenário ganhou ainda mais complexidade quando Dino autorizou investigação da Polícia Federal envolvendo o governador Brandão quando o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar possíveis irregularidades nas nomeações do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE). O Governo do Maranhão contestou a abertura da investigação e reafirmou o compromisso com a legalidade
A decisão foi tomada após a advogada Clara Alcântara Botelho Machado apresentar uma petição alegando a existência de um “procedimento secreto” nas escolhas dos novos membros do TCE-MA, supostamente para ocultar vínculos pessoais e empresariais entre os indicados e o governador do estado. A estranhesa do fato é que FlÁvio , no passado recente, dividiu palanques com parte dos supostos envolvidos.
Como observou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o embate no Maranhão extrapola as fronteiras estaduais e reacende antigos atores político.
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Juristas lembram que imparcialidade é o coração da magistratura. A Constituição não veda a chegada de ex-políticos ao Supremo, mas vínculos partidários podem corroer a credibilidade das decisões. Para especialistas, a saída seria a declaração de suspeição em casos sensíveis — medida que Dino rejeita.
O que está em jogo vai além de nomes e cargos. No Maranhão, a disputa revela o quanto a democracia brasileira se enfraquece quando política e Justiça se confundem. Dino pode alegar rigor técnico, mas sua longa sombra política continuará projetada sobre cada decisão. E quando a toga se mistura ao palanque, não é apenas um Estado que perde: é a confiança nas instituições que se esvai.
No fim, o episódio maranhense é mais do que uma disputa por cargos: é um retrato da fragilidade das instituições quando a Justiça e a política se confundem. Mostra que, mesmo no ápice do poder judicial, decisões não ocorrem em vácuo; são moldadas por histórias, alianças e interesses que continuam a definir rumos muito além das cortes. O Maranhão expõe, assim, um problema maior: a democracia brasileira ainda convive com a toga que decide, o palanque que pressiona e os absurdos que se repetem sem freio.
Mapa publicado pelo Estadão das teias politicas.