Vazamentos, conflitos internos e desinformação afastam o vice-governador da rota estratégica do Planalto.
Fontes com trânsito no núcleo político do governo indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pretende endossar a candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Palácio dos Leões. No Planalto, a avaliação é objetiva: a sucessão de crises públicas corroeu a viabilidade política do projeto antes mesmo de ele ganhar forma eleitoral.
O desgaste ganhou densidade após o vazamento de conversas atribuídas a Camarão, nas quais o vice-governador dirige xingamentos obscenos à deputada Mical Damasceno.
O conteúdo, amplamente disseminado em grupos de WhatsApp, ultrapassou o limite do ruído de bastidor e se transformou em constrangimento institucional, acendendo alertas na direção nacional do PT.
Não foi um fato isolado. Também pesou o confronto com um dirigente petista no município de Viana, interpretado internamente como sinal de dificuldade de convivência com a própria estrutura partidária.
Nos bastidores, a leitura é de que a recorrência de atritos expõe fragilidade na capacidade de articulação política, atributo central para quem pretende governar um estado complexo como o Maranhão.
Como agravante, aliados do vice-governador passaram a difundir informações falsas sobre um suposto não apoio de Lula à pré-candidatura de Orleans Brandão.
A manobra, vista como tentativa de confundir o debate interno e forçar uma posição do Planalto, produziu efeito inverso: reforçou a percepção de desorganização política e ampliou a desconfiança no centro do poder.
O quadro que emerge é claro. O PT dividido no Maranhao segue sem candidato consolidado e revê suas rotas com cautela.
No mapeamento frio da oceanografia política, Camarão deixou de ser corrente favorável e passou a representar zona de turbulência e naufrágio .





















