O PT do Maranhão já não consegue ocultar suas fraturas internas. Prints que circulam amplamente nas redes sociais e em grupos de WhatsApp expõem o vice-governador Felipe Camarão em ataques verbais contra dirigentes do próprio partido. O conteúdo das mensagens revela uma crise interna profunda e um desgaste político que agora ganha dimensão pública.
As conversas mostram Camarão atacando Frederich Marx, dirigente histórico do PT, presidente da sigla em Viana e filho do ex-prefeito Messias Costa. Para integrantes do partido, o episódio não é isolado. Antes, uma deputada estadual já havia sido envolvida em embates públicos com o vice-governador, o que, segundo militantes, evidencia um padrão de confronto duro com quem diverge de sua posição política.
Nos trechos que viralizaram nas redes sociais, o vice-governador adota um tom considerado incompatível com a função que ocupa. “Tu é um mentiroso, safado, vagabundo”, escreve Camarão em um grupo oficial de dirigentes petistas, linguagem que, para quadros do partido, transforma um espaço de debate político em arena de ataques pessoais.

O estopim da crise foi a discussão sobre um possível apoio do PT à pré-candidatura de Orleans Brandão ao governo do Estado. Frederich Marx criticou o processo e acusou Camarão de tentar implodir o partido em favor de um projeto pessoal. A resposta do vice-governador chamou atenção nos bastidores. “Quem segurou tudo fui eu, senão ninguém do PT estava mais com cargo no governo”, escreveu. Para militantes e dirigentes, a frase soou como tentativa de intimidação política e referência ao uso de cargos como instrumento de pressão.
Mesmo após um pedido de respeito feito pelo dirigente, o tom das mensagens se manteve elevado. “Quero saber se vier o apoio do PT Nacional e a decisão do Lula o que tu vai falar, moleque”, escreveu Camarão. A resposta veio de forma direta: “Moleque é você”.
A ampla circulação dos prints reforçou uma avaliação já presente nos bastidores. Parte significativa do PT maranhense não vê Felipe Camarão como um quadro identificado com a militância histórica do partido, o chamado “PT raiz”. Para esses setores, o vice-governador representa um projeto político pessoal, distante da base partidária e da trajetória coletiva que consolidou a legenda.
Essa percepção ajuda a explicar o isolamento político que Camarão enfrenta internamente. Segundo dirigentes, ele tem dificuldade de construir consensos e dialogar com as diferentes correntes do partido, adotando uma postura vista como impositiva e centralizadora.
Após a repercussão negativa, aliados relataram que Camarão teria ligado para Frederich Marx para pedir desculpas. A iniciativa, no entanto, foi avaliada por dirigentes como insuficiente para conter o desgaste. Prints não se apagam, e o episódio aprofundou a desconfiança interna.

Para setores do PT, o caso se soma a episódios anteriores, como as críticas públicas envolvendo embates verbais com a deputada Mical Damasceno, classificados por adversários políticos como ataques de cunho misógino. Esses antecedentes reforçam, na avaliação interna, a imagem de um estilo político marcado pelo confronto e pelo destempero verbal.
O PT é maior que disputas individuais. Foi construído na luta, na militância de base, no diálogo e na resistência que levaram Lula à Presidência da República e transformaram a legenda em uma das maiores forças políticas do Brasil. Para muitos petistas, Felipe Camarão não participou desse processo histórico e hoje protagoniza episódios que expõem o partido a constrangimentos públicos. O PT permanece. A história permanece. Já os projetos pessoais, esses são julgados pelo tempo e pela própria militância.
Nos bastidores do PT, a avaliação é direta: o problema deixou de ser o vazamento dos prints e passou a ser o comportamento de Felipe Camarão. Dirigentes admitem, reservadamente, que o vice-governador virou fonte permanente de ruído político e constrangimento para o campo de Lula no Maranhão. O incômodo não está no debate interno, mas no tom, na reincidência e na exposição pública. Para petistas mais antigos, não é o PT que envergonha Lula. É a soberba de quem nunca ajudou a construir o partido e agora insiste em falar por ele.
Soma-se a esse episódio a cristalização de um sentimento que já circulava nos bastidores: Felipe Camarão enfrenta forte rejeição interna e deixou de ser visto como liderança legítima por parcelas expressivas do PT.
O proplema apenas confirmou o que muitos já diziam em silêncio: Felipe Camarão tornou-se um corpo estranho dentro do próprio partido, alguém que fala em nome do PT, mas já não fala pelo PT.

















