O governo Lula parece ter encontrado uma maneira amarga de equilibrar as contas às vésperas da eleição de 2026: cortar o Bolsa Família, penalizando justamente os mais pobres. Em um movimento inédito e alarmante, entre junho e julho de 2025, mais de 855 mil famílias foram excluídas do programa, no que já é considerada a maior baixa mensal da história do benefício.
O Ministério do Desenvolvimento Social alega que a maioria dessas famílias “aumentou de renda”. Mas ninguém com o mínimo de bom senso acredita que, em plena crise econômica, quase um milhão de brasileiros subitamente escaparam da pobreza em apenas trinta dias. Na prática, o que se vê é uma ação política travestida de “fiscalização”: o governo está enxugando o Cadastro Único às pressas para liberar espaço no Orçamento e tentar fazer caixa para turbinar a máquina eleitoral em 2026.
Os números escancaram o retrocesso: quando Lula reassumiu a Presidência, o Bolsa Família beneficiava cerca de 19,6 milhões de famílias. Com a promessa de combate à fome como bandeira, o número subiu em 2023. Mas, ao longo do atual mandato, o que se viu foi um verdadeiro desmonte do programa. Até agora, 8,6 milhões de famílias foram excluídas — sob justificativas genéricas e sem transparência sobre os critérios utilizados.
Em abril, quase meio milhão de famílias estavam pré-habilitadas para receber o auxílio. Mesmo assim, o governo simplesmente congelou a fila. Os dados mais recentes sequer foram divulgados — um silêncio que diz muito.
A verdade incômoda é que o Brasil está quebrado. O governo federal tem um buraco fiscal bilionário e optou por transferir a conta para os mais vulneráveis. O orçamento de 2025 prevê R$ 10 bilhões a menos para o Bolsa Família em relação a 2024, segundo o sistema Siga Brasil. A prioridade, ao que tudo indica, passou a ser o ajuste de caixa, não a proteção social.
Enquanto isso, aumentam os impostos, cresce a carga tributária, e o Estado cobra cada vez mais de quem já não tem quase nada. O discurso progressista da campanha de 2022 virou poeira. Em seu lugar, sobrou a prática fria de um governo desesperado por recursos para se manter no poder.
É o Brasil real, onde o pobre paga a conta da crise, e o Estado se mostra cada vez mais distante de quem mais precisa dele.