A partir desta quarta-feira (6), o Brasil começa a sentir no bolso os efeitos de uma política externa marcada por discursos inflamados e alianças ideológicas pouco pragmáticas. Entrou em vigor a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre uma fatia expressiva das exportações brasileiras, atingindo diretamente setores como café, frutas e carnes. A medida, assinada pelo presidente Donald Trump na última semana, vai além do campo comercial: é uma resposta política — direta e calculada — às provocações do presidente Lula.
Inicialmente, o Brasil havia sido alvo de uma tarifa de 10% em abril. A elevação para 50% representa um recado claro da Casa Branca. Nos bastidores, a diplomacia americana demonstra incômodo com as declarações agressivas de Lula contra Trump e com o alinhamento explícito do Brasil à agenda geopolítica dos BRICS. Para Washington, a retórica do presidente brasileiro — com acenos a regimes autoritários, críticas aos EUA e defesa da criação de uma moeda única dos BRICS — ultrapassou os limites da política e flertou com o confronto direto.
A proposta da moeda comum entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — defendida publicamente por Lula — foi interpretada como ameaça à hegemonia econômica americana. E, no jogo geopolítico, ameaças raramente passam em branco.
Trump, voltou à Casa Branca com um discurso ainda mais nacionalista e protecionista, aproveitou a ocasião para agradar sua base interna e penalizar um país que decidiu afrontar os interesses estratégicos dos EUA.
Enquanto isso, o Brasil amarga perdas concretas. O tarifaço atinge 35,9% das exportações brasileiras aos EUA, o que representa cerca de 4% de tudo que o país vende ao exterior. Itens como combustíveis, minérios, fertilizantes, aeronaves e produtos estratégicos para a indústria americana ficaram de fora da sobretaxa.
O governo Lula tentou transformar a política externa brasileira em palco de protagonismo global, mas acabou isolando o país e desgastando relações comerciais vantajosas. A retórica antiamericana, somada à aproximação com regimes hostis ao Ocidente e ao flerte com alternativas ao dólar, cobra agora um preço alto — pago, sobretudo, pelo agronegócio e pela economia nacional.
O tarifaço de Trump é apenas o início. Em tempos de realinhamento global, bravatas diplomáticas e militância ideológica eleitoreira não substituem diplomacia nem estratégia, e discursos tresloucados não garantem mercados.