Comissão instalada pela Assembleia do Maranhão inicia fase operacional, autoriza pedidos ao STJ e TJMA e amplia pressão política sobre estruturas ligadas a Felipe Camarão.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Assembleia Legislativa do Maranhão para investigar supostas irregularidades na Vice-Governadoria e na Secretaria de Estado da Educação (Seduc) iniciou oficialmente, nesta quarta-feira (13), sua fase de atuação prática em meio a forte expectativa política e crescente tensão nos bastidores da politica maranhense.
Durante a primeira reunião de trabalho da comissão, realizada na Sala das Comissões da Alema, os parlamentares definiram os primeiros movimentos da investigação, aprovaram requerimentos considerados estratégicos e consolidaram o deputado estadual Dr. Yglésio como relator da CPI.
O encontro marcou o início efetivo da apuração parlamentar que mira contratos, procedimentos administrativos e possíveis irregularidades envolvendo setores ligados ao vice-governador Felipe Camarão e à estrutura da educação estadual.
A presidente da comissão, deputada Ana do Gás, afirmou que os trabalhos serão conduzidos com reuniões semanais e prometeu transparência no andamento das investigações.
Segundo ela, a comissão iniciou a análise técnica dos requerimentos apresentados pelos deputados e estabeleceu um cronograma contínuo de funcionamento.
“Deliberamos sobre os primeiros requerimentos, aprovando alguns e rejeitando outros. Agora, vamos seguir com reuniões semanais, sempre às terças-feiras, buscando garantir equilíbrio, responsabilidade e transparência durante toda a condução da CPI”, declarou.
Entre os pedidos aprovados, ganharam destaque dois requerimentos apresentados pelo relator da comissão. O primeiro autoriza a realização de sessões reservadas para análise de documentos sigilosos ligados às investigações. O segundo solicita ao Superior Tribunal de Justiça e ao Tribunal de Justiça do Maranhão o compartilhamento de inquéritos e procedimentos que atualmente tramitam sob segredo de Justiça.
Para Dr. Yglésio, a obtenção desse material será decisiva para o aprofundamento das apurações e para a elaboração de um relatório com sustentação técnica e jurídica.
“A comissão aprovou pedidos de compartilhamento de informações que estão em poder do Ministério Público e protegidas por segredo de Justiça. Também deliberamos pela realização de sessão secreta após o recebimento desse material. Nosso objetivo é conduzir uma CPI consistente e entregar respostas concretas à sociedade”, afirmou o parlamentar.
Outro requerimento aprovado partiu do deputado Rodrigo Lago e prevê a convocação do empresário José Papile, representante da empresa Taec Módulos, responsável por uma obra escolar no bairro Angelim, em São Luís.
A convocação amplia o foco da investigação sobre contratos e execução de obras ligadas à rede estadual de ensino, um dos principais eixos da CPI.
Já dois outros requerimentos apresentados por Rodrigo Lago foram rejeitados pela comissão. Um deles previa a convocação de outro empresário do setor da construção civil; o segundo buscava acesso a novos procedimentos investigativos.
A instalação da CPI aprofunda o ambiente de desgaste político em torno do vice-governador Felipe Camarão, que passa a enfrentar uma investigação parlamentar com potencial de forte repercussão institucional e eleitoral no Maranhão. Nos bastidores da Assembleia, deputados admitem que os próximos depoimentos e o eventual compartilhamento de documentos sigilosos podem elevar a temperatura política nas próximas semanas.
















