“Procure arrumar a menor quantidade de inimigos possíveis e a maior quantidade de amigos possíveis”, disse o presidente Lula a Camarão .”
Vice-governador patina nas pesquisas, enfrenta crise política crescente e vê até aliados resistirem à candidatura impulsionada pelo Planalto
A entrada mais incisiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tentativa de impulsionar o vice-governador Felipe Camarão no Maranhão já é interpretada nos bastidores como um movimento de socorro político a um grupo que perdeu força, apelo popular e capacidade de mobilização espontânea.
No centro da articulação está também a tentativa de evitar o enfraquecimento definitivo da senadora Eliziane Gama, hoje diante do velório político que já exerce no estado. Lula ver o Senado.
O problema para o Palácio do Planalto é que os números não ajudam. Nas principais pesquisas divulgadas nos últimos meses, Felipe Camarão aparece distante dos líderes da corrida estadual e sem sinais concretos de consolidação eleitoral. Levantamento do Instituto Econométrica/Imirante colocou o vice-governador com apenas 7,6% das intenções de voto, atrás de Eduardo Braide, Orleans Brandão e Lahesio Bonfim. No mesmo cenário, sua rejeição alcançou 28,9%, uma das maiores entre os pré-candidatos.
Além da dificuldade nas pesquisas, Felipe Camarão passou a enfrentar um ambiente político ainda mais turbulento com o avanço da CPI instalada na Assembleia Legislativa do Maranhão para investigar supostas irregularidades financeiras e movimentações consideradas atípicas. O processo ganhou forte repercussão política após a formalização do requerimento e instalação da comissão parlamentar de inquérito com apoio expressivo de deputados estaduais.
A comissão investiga denúncias relacionadas à Vice-Governadoria e ao período em que Camarão comandou a Secretaria de Educação, incluindo informações baseadas em relatórios do Coaf e apurações do Gaeco. O vice-governador nega irregularidades e afirma ser alvo de perseguição política, enquanto aliados tentam desqualificar as acusações.
Nos bastidores, entretanto, a avaliação é de que o desgaste político já produziu efeitos profundos na pré-campanha do petista. A CPI passou a dominar o debate político em torno de seu nome e enfraqueceu a narrativa construída pelo grupo oposicionista de que Camarão representaria renovação ou estabilidade administrativa.
O cenário se torna ainda mais delicado porque o próprio campo político ligado ao governo atravessa divisões internas cada vez mais evidentes. Lideranças partidárias, e setores históricos da esquerda maranhense demonstram resistência à tentativa de impor uma candidatura construída verticalmente por Brasília. o PT insistir no lançamento de Felipe Camarão ao governo em meio ao distanciamento do grupo liderado por Carlos Brandão.
Reservadamente, integrantes da base admitem que boa parte da estrutura política aliada não demonstra entusiasmo real com a candidatura do vice-governador. A percepção crescente é de que Lula tenta nacionalizar um projeto regional fragilizado para impedir o colapso político de aliados que perderam densidade eleitoral no Maranhão. Lula pisa em ovos por saber que tem um eleitorado forte no maranhão e Camarão vem destruindo consideravelmente o legado.
A tentativa de Felipe Camarão em herdeiro político de um grupo parcialmente desgastado ocorre justamente em um momento de fadiga do eleitorado com candidaturas percebidas como artificiais, excessivamente dependentes de acordos de gabinete e desconectadas das ruas.
No Maranhão, onde crises políticas costumam ganhar rápida dimensão popular, a combinação entre baixa competitividade eleitoral, divisão interna do próprio grupo aliado e uma CPI de forte repercussão pode transformar-se em um dos movimentos mais arriscados do tabuleiro político para 2026. E Camarão definitivamente ser o maior vexame eleitoral da história política já registrada no estado .
















