Ao faltar ao debate da Band Maranhão, no domingo (9), Braide não apenas escolheu outro palco: transmitiu a impressão de que algumas audiências seriam dignas de sua presença e outras, não.
Eduardo Braide decidiu não participar do debate promovido pela Band Maranhão no domingo, 9 de agosto. A justificativa apresentada, de que o debate da Mirante teria maior audiência, poderia ser apenas uma escolha estratégica de campanha. Mas, politicamente, revela algo muito mais incômodo.
A Band foi uma das protagonistas da abertura do calendário de debates para o Governo do Maranhão. Preparou estrutura, jornalismo, regras e espaço para colocar os candidatos diante do eleitor. Fez aquilo que se espera de uma emissora comprometida com o processo democrático.
Braide, porém, preferiu não comparecer.
E aqui está o ponto que não pode ser tratado como simples detalhe de agenda: a ausência não diminui a Band. Diminui a dimensão pública da escolha de Braide.
Um candidato a governador não deveria medir o valor de um espaço democrático pelo tamanho da audiência. O eleitor que acompanha a Band tem exatamente o mesmo peso daquele que assiste à Mirante. O cidadão não vale menos porque escolheu outro canal.
Quando um candidato decide que determinado debate merece sua presença porque reúne mais espectadores, cria-se uma lógica perigosa: a de que o eleitor passa a ser classificado conforme o tamanho da audiência.
Isso não é liderança. É conveniência e arrogancia.
E há uma contradição que torna o episódio ainda mais desconfortável. Em 2016, Braide criticava a preferência de Edivaldo Holanda Júnior por determinados debates, Hoje, diante de uma situação semelhante, a justificativa aparece convenientemente do outro lado.
A política tem memória.
Braide pode escolher sua estratégia eleitoral. O que não pode escolher é a interpretação que essa atitude provoca.
Porque a questão deixou de ser apenas a ausência em um programa de televisão. É a postura de um candidato que pretende governar um Estado inteiro, mas parece selecionar os espaços onde considera que vale a pena prestar contas.
Quem se julga preparado para governar não deveria temer o confronto, selecionar plateias ou hierarquizar veículos de comunicação. Deveria encarar todos.
A Band cumpriu seu papel. Abriu espaço, organizou o debate e colocou os demais candidatos diante das câmeras e dos questionamentos.
Braide fez sua escolha.
E ela revela uma soberba que não pode ser ignorada.
Talvez o candidato tenha calculado que a ausência lhe renderia mais do que a exposição. É uma aposta legítima de campanha. Mas existe uma diferença entre estratégia e arrogância: estratégia administra riscos; arrogância acredita que não precisa prestar contas a ninguém.
É justamente essa fronteira que Braide parece ter ultrapassado.
A ausência na Band não desqualifica a emissora. Tampouco reduz a importância de seus jornalistas ou do público que acompanhou o debate.
Ela coloca sob escrutínio a postura do próprio candidato Braide.
Porque quem quer governar o Maranhão precisa estar preparado para ser ouvido onde o eleitor estiver e quiser , e não apenas onde acredita que encontrará a audiência ideal.
O Maranhão não é uma audiência.
É um eleitorado. E nenhum candidato está acima dele.














