Brasil que absolve a vergonha e a transforma em currículo
Em 5 de setembro de 2017, o Brasil conheceu o que talvez seja o retrato mais visceral da corrupção institucionalizada: R$ 51 milhões em dinheiro vivo escondidos em malas e caixas num apartamento em Salvador. O dono do cofre? Geddel Vieira Lima, cacique histórico do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), ex-ministro de Lula e Temer, e símbolo máximo da promiscuidade entre poder e impunidade.
A Polícia Federal precisou de 7 máquinas e 14 horas ininterruptas para contar o dinheiro. Era tanto que parecia ficção. Mas era real. E tinha digitais de Geddel por toda parte.
A condenação: quase 15 anos de prisão
Em 22 de outubro de 2019, o Supremo Tribunal Federal cravou o que todo brasileiro atento já sabia: Geddel não era apenas um político influente — era um criminoso condenado por lavagem de dinheiro e associação criminosa. A pena: 14 anos e 10 meses de prisão. O irmão, Lúcio Vieira Lima, também do MDB, pegou 10 anos e 6 meses.
A sentença expôs o esquema escandaloso envolvendo verba pública, propina de empreiteiras, e uma atuação criminosa que vinha desde os tempos em que Geddel mandava e desmandava na Caixa Econômica Federal.
Mas o Brasil perdoa. E recicla.
Em 2022, o mesmo sistema que o condenou permitiu que Geddel saísse da prisão com liberdade condicional. E, como um zumbi político, voltou a circular pelos corredores do poder baiano como se nada tivesse acontecido. Sem prestar contas públicas, sem um pingo de vergonha, voltou a aconselhar aliados, articular candidaturas e — pasme — comentar segurança pública.
Sim, um ex-presidiário condenado por esconder milhões de reais em malas agora dá conselhos sobre como combater o crime.
Apesar de não ocupar cargo formal no Estado — ao contrário do secretário nominal da Seap, José Antônio Maia Gonçalves, indicado pelo MDB — o envolvimento político de Geddel se dá “nos bastidores”, conforme fontes ouvidas pela imprensa local .
Influência “nas sombras”
Fontes políticas confirmam que Geddel “comanda a Seap na sombra”, direcionando indicações para cargos, artelhos estratégicos e decisões importantes dentro da pasta . Isso sem uma caneta oficial, apenas com articulação intensa e vínculo religioso com líderes do MDB local — e com o governo PT.
Julho de 2025: o delírio institucional”.
Em 22 de julho de 2025, um vídeo oficial propagado pelas redes e grupos do governo revelou o que já era boato no meio político: o governador Jerônimo Rodrigues (PT) “escalou” o condenado Geddel Vieira Lima (MDB) para falar sobre segurança pública da Bahia, o que reforça a influência direta do ex-ministro no setor (seliguebahia.com.br).
Apesar de não ocupar cargo formal no Estado — ao contrário do secretário nominal da Seap, José Antônio Maia Gonçalves, indicado pelo MDB — o envolvimento político de Geddel se dá “nos bastidores”, conforme fontes ouvidas pela imprensa local (mpiaui.com.br).
Repita devagar: o homem das malas virou mentor de segurança. Um delinquente de colarinho branco ensinando como combater o crime que ele mesmo praticou com maestria.
É o fundo do poço institucional com direito a microfone, aplausos e cargo de bastidor.
Essa leniência não é exceção — é método. É acinte. É um deboche contra o eleitor brasileiro, especialmente aquele que acredita que a justiça deveria ser mais que uma cena ocasional no noticiário.
Vivemos num país onde criminosos condenados ensinam ética, onde o dinheiro da corrupção vira esquecimento, e onde o silêncio institucional não é ignorância, é conivência calculada.
Geddel Vieira Lima não deveria estar sendo ouvido — deveria estar sendo lembrado como exemplo do que a política brasileira precisa extirpar. Um homem que tentou enterrar R$ 51 milhões em dinheiro vivo não merece púlpito, nem plateia. Merece fiscalização, repúdio e esquecimento. Mas o Brasil oficial — cínico, conveniente e conivente — decidiu premiá-lo com o posto informal de conselheiro.
Quando a política aceita que um condenado por corrupção oriente a segurança pública, não se trata mais de inversão de valores. Trata-se de suicídio moral. E o Brasil, ao que tudo indica, segue cavando sua cova — com as mesmas malas, as mesmas digitais e os mesmos rostos sorrindo diante das câmeras. Cansou os valores ? Uma vergonha sem precedentes.
No Brasil o crime compensa e muito..