Total acumulado estimado de déficit das estatais federais entre 2023, 2024 e 2025: aproximadamente R$ 14,3 bilhões negativos.
Dados do Banco Central mostram que empresas públicas federais registraram déficits consecutivos nos últimos três anos, com 2024 batendo recorde desde 2022 e 2025 ampliando ainda mais o rombo fiscal.
O discurso de reconstrução do Estado não resistiu à contabilidade oficial. Entre 2022 e 2025, as empresas estatais federais passaram de um cenário de equilíbrio para uma sequência inédita de déficits, culminando no pior resultado da série histórica iniciada em 2022. Os números do Banco Central expõem um problema estrutural: o Estado voltou a operar empresas que gastam mais do que arrecadam, e a conta recai diretamente sobre o contribuinte.
Em 2022, último ano antes do atual governo, as estatais federais encerraram o exercício sem déficit, mantendo resultado positivo no agregado. Era o fim de um ciclo de controle fiscal que vinha sendo preservado, ainda que com dificuldades, ao longo dos anos anteriores.
A virada ocorre em 2023, primeiro ano completo do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. As estatais federais voltaram ao vermelho e registraram déficit de aproximadamente R$ 2,3 bilhões, sinalizando uma mudança clara na condução econômica dessas empresas. O resultado negativo não foi pontual. Tornou-se padrão.
O cenário se agravou de forma contundente em 2024. As estatais fecharam o ano com déficit de R$ 8,07 bilhões, o maior da história desde o início da série do Banco Central. O rombo mais que triplicou em relação a 2023 e escancarou o descontrole financeiro em empresas públicas que, na prática, passaram a operar sem compromisso com sustentabilidade fiscal.

Em 2025, a trajetória de deterioração não apenas continuou como se aprofundou. Nos primeiros meses do ano, o déficit já havia alcançado R$ 2,73 bilhões, o pior resultado já registrado para esse período. Até julho, o saldo negativo subiu para R$ 5,52 bilhões, consolidando mais um ano de prejuízo antes mesmo do fechamento do exercício.
Na soma direta, as estatais federais acumulam mais de R$ 15 bilhões em déficits entre 2023 e 2025, após um 2022 sem rombo. O contraste é brutal e desmonta a narrativa de eficiência administrativa propagada pelo governo.
Parte expressiva desse prejuízo vem de empresas conhecidas pela baixa produtividade e forte dependência do Tesouro, como Correios, CBTU, Infraero e EBSERH, que seguem operando com estruturas inchadas, gestão politizada e resultados financeiros persistentemente negativos. Em vez de ajustes, o governo optou por ampliar investimentos e despesas, mesmo diante de sucessivos sinais de alerta fiscal.

O argumento oficial de que os déficits decorrem de “investimentos estratégicos” não altera o fato central: o dinheiro sai do caixa público agora, aumenta a pressão sobre o orçamento e compromete o equilíbrio fiscal em um país já sufocado por carga tributária elevada e crescimento frágil.
Enquanto o governo eleva impostos, cria novas taxas e endurece o discurso contra o setor produtivo, mantém um parque estatal que consome recursos sem entregar eficiência. O resultado é previsível: menos espaço fiscal, mais endividamento e um Estado que pesa mais do que produz.
Os dados de 2022 a 2025 não deixam margem para retórica. As estatais voltaram a ser um problema fiscal relevante. E, desta vez, o rombo não é herança do passado. É obra da incompetência do governo presente.

















