O plenário da Assembleia Legislativa do Maranhão amanheceu em outra cadência nesta terça-feira (24). A sessão solene pelos 191 anos da Casa substituiu o compasso habitual por um gesto de reconhecimento institucional. No centro da cerimônia, uma trajetória: a do deputado Arnaldo Melo.

Oito mandatos não são apenas números. São tempo convertido em permanência, experiência transformada em capital institucional. Em um ambiente em que carreiras frequentemente obedecem à lógica da transitoriedade, a longevidade adquire densidade própria.
Médico de formação, Melo ingressou na vida parlamentar em 1990. Desde então, ocupou posições estratégicas, presidiu o Legislativo estadual em dois biênios consecutivos e assumiu o Governo do Estado em caráter interino. Sua trajetória percorre espaços que exigem domínio técnico, estabilidade emocional e compreensão profunda das engrenagens institucionais.

Ao ocupar a tribuna, o decano afastou-se da tentação autobiográfica. Optou por uma narrativa ancorada na memória institucional, recuperando episódios que moldaram a trajetória da Casa, evidenciando avanços sedimentados ao longo dos anos e destacando o papel estruturante das comissões permanentes. A centralidade deixou de ser o indivíduo e passou a ser a engrenagem legislativa, traduzindo não apenas experiência, mas compreensão refinada do sentido institucional da política.

Houve ainda espaço para reconhecimento interno: servidores, departamentos, taquigrafia, imprensa , elementos que raramente figuram no centro das narrativas públicas, mas sustentam a arquitetura silenciosa da atividade legislativa. Ao mencioná-los, Melo tocou em uma verdade frequentemente esquecida: instituições não sobrevivem apenas de discursos, mas de rotinas técnicas e precisão administrativa.

No discurso, o deputado destacou a presidência de Iracema Vale, conferindo à cerimônia uma dimensão mais expressiva. Não se tratou de mero protocolo, mas de um reconhecimento da representatividade e da maturidade institucional. A política se constrói também por marcos que remodelam perfis, ampliam horizontes e consolidam espaços de liderança mais inclusivos e sólidos.

Sessões solenes costumam ser vistas como rituais previsíveis. Nem sempre o são. Quando interpretadas com atenção, transformam-se em registros públicos de identidade e legado institucional. A homenagem a Arnaldo Melo revelou isso com clareza: um Parlamento que reconhece sua própria história ao celebrar uma trajetória que se confunde com a sua essência.

O que se viu foi a convergência entre tempo e experiência, onde passado, presente e futuro dialogaram no mesmo espaço emblemático. No centro do Parlamento, a política revelou um valor que atravessa gerações e circunstâncias: a continuidade sustentada pela única regra que define um grande político, a competência.















