Deputada Ana do Gás assume a presidência; Yglésio Moyses desponta como relator, e Adelmo Soares como vice-presidente.
A Assembleia Legislativa do Maranhão instalou na tarde desta quarta-feira (06) a CPI que pode definir o destino político de Felipe Camarão. A deputada Ana do Gás assumiu a presidência do colegiado, Adelmo Soares a vice-presidência, e Yglésio Moyses foi indicado para a relatoria, cargo que só será formalizado na próxima semana, mas que já concentra as maiores expectativas sobre a profundidade que a investigação poderá atingir.
O requerimento que sustenta a investigação aponta movimentações financeiras atípicas associadas à Vice-Governadoria e à Secretaria de Educação, pasta que Felipe Camarão comandou antes do afastamento. Há menção a repasses a terceiros e a vínculos com pessoas do entorno do vice-governador. São indícios, não provas. Mas indícios, nas mãos de uma comissão com poderes de quebra de sigilo, convocação compulsória e requisição de documentos, podem se transformar em algo de consequência muito maior.
A instalação custou tempo. Entraves regimentais e ausência de quórum adiaram a reunião inaugural. O atraso não foi acidente raramente é, quando o investigado ocupa o segundo cargo do Executivo estadual.
Ana do Gás apresentou discurso de equilíbrio ao assumir a cadeira da presidência. Prometeu rigor institucional, observância às normas da Casa e equanimidade com todas as partes. O vocabulário foi correto. O teste real começa quando os primeiros documentos chegarem e os primeiros nomes forem convocados.
Yglésio Moyses é o nome mais estratégico da composição. A relatoria de uma CPI não é função honorária. O relator decide o ritmo das diligências, hierarquiza as evidências, seleciona o que entra e o que fica de fora do relatório final. Em investigações com ramificações políticas desta magnitude, o relator pode tanto iluminar quanto sepultar achados. Moyses já sinalizou, ainda na fase preliminar, que identificou tentativas de obstrução por parte da oposição. Os citados não responderam publicamente.
Adelmo Soares, na vice-presidência, reforçou que as diligências serão construídas de modo colegiado, com os membros propondo encaminhamentos. A formulação soa democrática. Na prática, significa que nenhuma decisão relevante poderá ser tomada sem negociação interna o que pode ser garantia de equilíbrio ou fonte de paralisia, a depender da correlação de forças que se consolidar nas próximas semanas.
Os primeiros passos operacionais incluem requisição de documentos à Vice-Governadoria e à Secretaria de Educação, convocações para oitivas e a construção de um cronograma que caiba dentro dos 120 dias de prazo inicial, prorrogáveis mediante deliberação.
Cento e vinte dias é tempo suficiente para uma comissão competente desmontar uma estrutura de irregularidades ou tempo mais que suficiente para uma comissão ineficiente consumir sem produzir nada além de atas.
Felipe Camarão, que já acumulou o desgaste público do afastamento, do noticiário sobre o COAF e do posicionamento nas pesquisas eleitorais, assiste à formalização do instrumento que pode encerrar sua carreira política antes que o calendário de 2026 chegue ao momento decisivo. A CPI não o condena. Mas tem poderes para entregar ao Ministério Público e ao Judiciário um dossiê que outros instrumentos não conseguiriam reunir.
A próxima reunião formaliza a relatoria. A partir daí, a comissão deixa de ser promessa e passa a ser processo.
















