A dívida da Venezuela com o Brasil já supera R$ 10 bilhões e permanece sem qualquer pagamento desde 2018.
O valor cresce com juros e está incorporado ao Tesouro Nacional, sendo arcado indiretamente pelo contribuinte brasileiro.
O passivo tem origem em financiamentos concedidos pelo BNDES entre 2009 e 2016 para obras de infraestrutura na Venezuela, como metrôs, estaleiros e siderúrgicas. Os contratos previam pagamento em dólar pelo governo venezuelano, o que não ocorreu.
Com a inadimplência, o Brasil acionou o Seguro de Crédito à Exportação, sustentado pelo Fundo de Garantia à Exportação, ambos abastecidos com recursos públicos. Na prática, o calote externo foi transferido para dentro do orçamento brasileiro.
Desde 2023, o governo Lula restabeleceu relações diplomáticas com Caracas e recebeu Nicolás Maduro em Brasília.

Apesar da reaproximação política, não houve exigência pública de pagamento, apresentação de cronograma ou adoção de medidas de cobrança efetiva.
Especialistas apontam que a postura reflete alinhamento ideológico com o regime chavista, priorizando a reabilitação diplomática da Venezuela em detrimento da defesa do dinheiro público.
Sem pressão institucional, a dívida segue crescendo. O prejuízo permanece com o Brasil, enquanto a Venezuela continua inadimplente — um custo elevado da opção política adotada pelo governo.

Com Nicolás Maduro preso nos Estados Unidos e submetido à Justiça americana, o governo Lula perde qualquer justificativa para seguir ignorando a cobrança de mais de R$ 10 bilhões devidos ao Brasil. O cenário internacional mudou, a impunidade do aliado ruiu, mas Brasília permanece inerte. A ideologia segue blindando o regime chavista, enquanto o prejuízo continua recaindo sobre o contribuinte brasileiro.

Expansão do Metrô de Caracas (linhas 3 e 4) e do Metrô de Los Teques – receberam cerca de R$ 3,9 bilhões em financiamento do BNDES.
Segunda ponte sobre o Rio Orinoco – obra de integração viária estratégica para o transporte entre regiões da Venezuela, com cerca de R$ 1,6 bilhão financiados pelo BNDES.
Até hoje, a Venezuela não pagou nem um centavo do que foi financiado pelo BNDES nesses contratos, tornando o caso um dos maiores calotes internacionais enfrentados pelo banco e um dos pontos mais controversos da política de crédito externo brasileiro.


















