Quando se tem, o bilhão Imaginário, o Viaduto Fantasma e a Plateia de Conversão Relâmpago…
São Luís assistiu a um espetáculo cuidadosamente ensaiado. No Trapiche Santo Ângelo, nesta quinta feira (05) o prefeito Eduardo Braide anunciou R$ 1,6 bilhão em obras e desenhou, em telão e PowerPoint, uma cidade que ainda depende de ordem de serviço.
O Elevado da Forquilha, vitrine do pacote, já tem licitação concluída e empresa definida. Falta o detalhe prosaico: começar. A máquina ainda não ronca. O concreto segue imaginário. Mas o anúncio, esse foi sólido.
O que realmente chamou atenção, porém, estava na plateia.

Deputados do Partido Comunista do Brasil e do Partido Socialista Brasileiro aplaudiam com entusiasmo quase pedagógico. São os mesmos grupos que orbitavam o então governador Flávio Dino, hoje instalado no Supremo Tribunal Federal. São os mesmos que, em passado não tão distante, ouviam de Braide críticas afiadas, discursos de oposição e ataques frontais.
A política tem memória curta. Ou seletiva.
não apenas divergia do grupo de Flávio Dino. Braide moldou a própria narrativa pública em oposição frontal ao dinismo. Cada discurso tinha alvo. Cada entrevista carregava a marca do contraste. Vendia-se como ruptura, como antídoto, como o político que não se curvaria ao sistema que criticava.
Não era disputa técnica nem divergência administrativa. Era embate de identidade. Braide precisava de Dino como antagonista para sustentar o personagem que construiu.
O tempo passou. Dino atravessou a Praça dos Três Poderes e hoje veste a toga no Supremo Tribunal Federal. E, curiosamente, o antagonismo perdeu a utilidade.
Sob as luzes do evento, aliados históricos do dinismo surgem alinhados ao prefeito. Sorrisos largos. Palmas sincronizadas. Nenhum constrangimento visível. A trincheira virou carpete. O confronto, rodapé de arquivo.
Não houve autocrítica pública. Não houve revisão explícita de discurso. Houve silêncio. E, no silêncio, a acomodação.
A política admite alianças improváveis. O que não admite é amnésia seletiva. Quando o adversário de ontem se torna parceiro potencial sem explicação convincente, o eleitor entende que princípios eram, talvez, apenas instrumentos.
E instrumento, quando deixa de servir ao enredo, é guardado na gaveta.
Milagre ideológico não houve. O que existe é cálculo.
Com Dino fora do Palácio dos Leões e sentado na mais alta Corte do país, seus antigos aliados procuram gravidade política. E Braide, líder nas pesquisas, e destruindo essa liderança e dono da máquina municipal, tornou-se campo magnético. Aplausos não são gratuitos. São investimentos.
Há, sim, a possibilidade concreta de caminharem juntos em 2026. A política maranhense não opera por ressentimento, mas por sobrevivência. O prefeito sabe disso. Os deputados também.
E o eleitor? O eleitor observa.
Pode até tolerar alianças improváveis. Pode compreender acordos táticos. Mas não é ingênuo. Sabe o que é hipocrisia, Não esquece discursos inflamados nem declarações de confronto transmitidas em cadeia digital. Nessa disputa por poder, o único que não pode ser tratado como peça descartável é quem vota.
O elevado espera ordem de serviço. As alianças esperam definição. E, enquanto os atores reposicionam suas cadeiras no tabuleiro, convém lembrar: o eleitor não é burro. Sabe o que significa: Cinismo, Teatro Moral, Contradição Oportunista, Dissimulação e Pragmatismo Seletivo de Plástico, no mais absoluto desespero da preocupação da inelegibilidade.
















