O editor desta página recebe com consternação a notícia do falecimento da ex-prefeita Bia Venâncio, figura central de um dos capítulos mais intensos da vida política Luminese.
À frente da administração municipal, ela ocupou o posto máximo do Executivo em meio a disputas acirradas, cobranças públicas e decisões que ecoaram para além das fronteiras da cidade. Governar nunca foi exercício de silêncio é exposição permanente, pressão que não respeita horário, responsabilidade que atravessa madrugadas e consome quem a aceita com serenidade, Bia Venâncio conheceu esse peso. E o carregou.
No comando do Executivo, moveu-se em campo de alta tensão. Enfrentou disputas que não se resolviam em plenário, mas nos tribunais e nas esquinas; embates que começavam na ata oficial e terminavam no rumor das ruas. Em Paço do Lumiar, o poder sempre teve plateia ,atenta, crítica, impaciente.
Governar ali não era administrar relatórios. Era sustentar decisões sob claridade implacável. A cidade acompanhava cada gesto como quem vigia o próprio destino. O telefone atravessava a noite. A agenda não conhecia vazios. A assinatura, antes de secar no papel, já provocava reação.
Bia experimentou essa engrenagem por dentro. Soube que a autoridade carrega solidão e que toda escolha pública cobra um preço íntimo. Permaneceu. Sob aplausos e sob pressão. Sem atalhos.
Sua trajetória foi marcada por debates, enfrentamentos , como o é a de qualquer personagem que escolhe a arena pública como palco de atuação. Entre acertos e controvérsias, construiu seu lugar na história política local, integrando uma geração que moldou de forma decisiva o cenário administrativo e eleitoral do município.
Neste momento, as divergências cedem espaço ao silêncio respeitoso. O que se impõe, acima de qualquer avaliação política, é o reconhecimento da dor daqueles que a amaram fora dos palanques e das sessões oficiais , a família, os amigos, os que testemunharam o ser humano por trás do cargo.
Esta página se solidariza com todos que lamentam sua partida e manifesta sinceras condolências aos familiares.
A história de uma cidade não se escreve apenas com datas e decretos , ela se escreve também com os nomes de quem, em algum momento, teve a coragem de assumir o leme.
Douradofilho















