Entre impostos, juros e contas atrasadas, o brasileiro paga a conta de uma economia pressionada. Enquanto o governo Lula anuncia prosperidade, famílias afundam em dívidas e as contas públicas acumulam desafios.
Três em cada dez famílias estão com contas atrasadas. Comprometimento da renda chega a 29%, enquanto brasileiros enfrentam dificuldades para fechar o mês.
O brasileiro trabalha, recebe o salário e, antes mesmo de terminar o mês, já vê boa parte do dinheiro comprometida. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 81,7% das famílias brasileiras estavam endividadas em setembro de 2026. No mesmo período, 29,6% tinham contas em atraso.
Os números do Banco Central também preocupam. Em agosto, o endividamento das famílias chegou a 50,1% da renda acumulada em 12 meses. Já o comprometimento da renda com empréstimos e financiamentos alcançou 29%. Em setembro, a inadimplência na carteira de crédito das pessoas físicas chegou a 6%.
Na prática, sobra menos dinheiro para supermercado, aluguel, transporte e despesas básicas. Para muitas famílias, o cartão de crédito deixou de ser uma opção de consumo e passou a funcionar como complemento do salário.
O governo Lula aposta em programas de renegociação, como o Desenrola. Mas existe uma diferença entre limpar o nome e recuperar a capacidade de pagamento. Descontos aliviam dívidas antigas, mas não resolvem a falta de dinheiro para pagar as contas seguintes.
Entre promessas de prosperidade, aumento do poder de compra e recuperação econômica, a realidade impõe outra discussão. Em 2025, a carga tributária brasileira chegou a 32,4% do PIB, segundo o Tesouro Nacional, o maior percentual da série histórica. Enquanto o Estado amplia sua arrecadação, milhões de brasileiros enfrentam dívidas, juros elevados e um orçamento cada vez mais apertado.
Como falar em aumento do poder de compra quando o cidadão precisa dividir o salário entre impostos, contas básicas e dívidas bancárias? Sem redução efetiva do custo de vida, renda suficiente e alívio da carga tributária sobre o consumo, a prosperidade prometida pelo governo Lula corre o risco de continuar restrita ao discurso, longe da realidade das famílias brasileiras.
Fontes:
Confederação Nacional do Comércio (CNC), Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), setembro de 2026.
Banco Central do Brasil, Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgação de 29 de outubro de 2026.

















