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Braide vende falsa neutralidade : o charlatanismo eleitoral do PSD no Maranhão.

"Falsidade ideológica" de Braide repercute nos bastidores dos acordos políticos no Maranhão.

APAUTA10 Por APAUTA10
13 de julho de 2026
in POLÍTICA
0
Braide vende falsa neutralidade  : o charlatanismo eleitoral do PSD no Maranhão.

Artigo de opinião:

Não quer Lula, mas quer o lulismo. Não quer Flávio, mas quer o bolsonarismo. Em suma, uma hipocrisia generalizada.

O discurso tenta se afastar de determinadas lideranças, mas busca apropriar-se do capital político que elas representam. Não quer Lula, mas quer o lulismo. Não quer Flávio, mas quer o bolsonarismo. O resultado é uma contradição que expõe a hipocrisia de uma estratégia eleitoral baseada na conveniência.

Pré-candidato ao Palácio dos Leões nega vínculo com Lula e Bolsonaro em público, mas monta chapa bipolar nos bastidores e usa a ambiguidade como moeda de campanha

Existe um nome para quem promete isenção e distribui promessas contraditórias conforme a plateia.

Eduardo Braide encarna esse personagem na corrida ao governo do Maranhão. Discursa contra a nacionalização da disputa, evita pronunciar o nome do presidente da República e, ao mesmo tempo, monta uma chapa que abriga um bolsonarista raiz e um lulista convertido, como se a coerência fosse artigo de luxo dispensável em ano eleitoral.

A frase que resume o episódio expõe o cálculo frio por trás da suposta moderação. Braide quer o lulismo sem Lula no palanque. Traduzindo, quer a força eleitoral do presidente sem pagar o preço político de dizer isso em alto e bom som.

O truque não é sutil. O pré-candidato declarou não enxergar vantagem em se associar a Lula ou a Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, autoriza o companheiro de chapa André Fufuca, ex-ministro do governo federal recém-convertido ao lulismo, a pedir votos abertamente para o presidente durante a pré-campanha ao Senado. A decisão não nasceu de princípio algum, nasceu de conta eleitoral: impedir Fufuca de cortejar o eleitorado lulista custaria caro demais à aliança.

 Enquanto isso, mantém ao lado Lahésio Bonfim, bolsonarista assumido, e uma candidata a vice que financia atos contra o próprio governo que Braide finge não ter opinião sobre.

Chamar isso de neutralidade é charlatanismo travestido de sobriedade. O pré-candidato quer transitar entre dois eleitorados inconciliáveis, oferecendo a cada um a versão que convém naquele instante.

Para o eleitor lulista, sinaliza através de Fufuca. Para o eleitor bolsonarista, sinaliza através de Lahésio. Para a imprensa nacional, veste o discurso de despolarização. O único grupo que não recebe versão nenhuma é o eleitor maranhense, obrigado a adivinhar qual Braide efetivamente vai governar caso vença.

A hipocrisia rendeu fatura dos dois lados. Petistas acusam o pré-candidato de instrumentalizar o embate entre lulismo e bolsonarismo como arma eleitoral, justamente enquanto discursa contra a polarização. Do campo oposto, aliados do ex-governador Flávio Dino, que apostavam numa aproximação com Braide, sentiram o golpe ao ver Lahésio anunciado na chapa e migraram para o vice-governador Felipe Camarão. Ninguém confia mais na palavra do pré-candidato, nem quem votou nele, nem quem cortejava sua aliança. Ninguém confia mais em ninguém virou baderna articulada. Ou traições por conveniências

O cálculo é conhecido e tem nome na ciência política, populismo de ocasião, mas no Maranhão ganha contorno ainda mais cínico.

Lula fez quase 70% no Maranhão em 2022. Diante desse número, Braide não hesita, ele se esconde. Terceiriza a aliados o trabalho sujo de acenar ao eleitorado lulista enquanto guarda para si o silêncio confortável de quem não quer se comprometer com nada. Não é estratégia, é covardia travestida de habilidade política.

Quem não tem coragem de dizer em que acredita não tem projeto, tem cálculo de sobrevivência. Braide converteu a ausência de posição em método de governo, e isso diz mais sobre sua  pré – candidatura do que qualquer discurso pronto poderia dizer.

Ele não evita o confronto ideológico por prudência, evita porque não tem substância para sustentá-lo. É a política do avestruz elevada a plataforma eleitoral: enterra a cabeça na ambiguidade e espera que o eleitor não perceba o vazio por trás do silêncio calculado.

O adversário nem precisa atacar, basta repetir o óbvio: um pré – candidato que não sabe, ou não quer, dizer de que lado está não está pronto para decidir nada como governador. Vira apenas um administrador de oportunismos.

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