O Brasil vive uma contradição sufocante entre 2023 e 2025. Enquanto o governo Lula sustenta um discurso de reconstrução econômica, os dados oficiais mostram um país onde empresas fecham em massa, o crédito encarece e o ambiente de negócios se deteriora. A retórica otimista não resiste aos números.
Mais de 2,1 milhões de empresas fecharam em 2023, segundo o Mapa de Empresas do próprio governo federal. Em 2024 e 2025, a crise continuou, com alta da inadimplência empresarial e explosão de pedidos de recuperação judicial, conforme dados da Serasa Experian e da Fenacon. Não é narrativa da oposição. É estatística oficial.
Esses números incluem todas as empresas registradas formalmente, especialmente microempresas e microempreendedores individuais (MEIs) — que representam a maioria dos CNPJs no Brasil e são responsáveis pelo maior volume de encerramentos registrados.
O problema não se resume a impostos isoladamente. Trata-se de um modelo econômico baseado no aumento da arrecadação, expansão do gasto público e hostilidade explícita ao setor privado.
O governo Lula adotou uma estratégia fiscal centrada em elevar receitas, resistindo a cortes estruturais de despesas. Isso ficou evidente nos debates sobre o novo arcabouço fiscal e nas sucessivas tentativas de aumentar a carga sobre empresas, consumo e investimentos.
O resultado aparece nos indicadores macroeconômicos. O Banco Central do Brasil manteve juros elevados por boa parte do período, diante da deterioração das expectativas fiscais. Para as empresas, isso significou crédito caro, menos investimento e consumo retraído.
O Brasil já figura entre os países com maior carga tributária e maior complexidade fiscal do mundo, segundo estudos da OCDE e do Banco Mundial. Sob o atual governo, o cenário ganhou um agravante: imprevisibilidade.
A chamada reforma tributária, aprovada no Congresso, terá transição longa e efeitos práticos apenas a partir de 2026. Até lá, empresários convivem com incerteza jurídica, risco de aumento da carga efetiva e nenhuma redução imediata de custos.
Dados do Banco Mundial (Doing Business) mostram que empresas brasileiras gastam, em média, mais de 1.500 horas por ano apenas para cumprir obrigações tributárias — um dos piores índices do planeta.
Grandes empresas também sentem o ambiente deteriorado
Embora o impacto seja mais devastador entre micro e pequenas empresas, grupos de grande porte também enfrentaram crises profundas.
A Americanas, uma das maiores varejistas do país, entrou em recuperação judicial em 2023 após revelar um rombo bilionário. A Oi, gigante do setor de telecomunicações, segue em um processo prolongado de insolvência. Embora esses casos envolvam problemas internos graves, especialistas do mercado financeiro apontam que o ambiente macroeconômico adverso agrava e acelera colapsos empresariais.
Dados do Banco Mundial (Doing Business) mostram que empresas brasileiras gastam, em média, mais de 1.500 horas por ano apenas para cumprir obrigações tributárias — um dos piores índices do planeta.
Relatórios da Serasa Experian mostram crescimento contínuo da inadimplência empresarial e dos pedidos de recuperação judicial entre 2023 e 2025.
O Brasil que produz paga a conta
Enquanto o discurso oficial celebra números pontuais de crescimento, a economia real sangra. Cada empresa que fecha significa menos empregos, menos renda e menos arrecadação futura.
O paradoxo é evidente: ao tentar extrair mais do setor produtivo, o governo reduz a própria base de arrecadação no médio prazo. Economias não quebram por falta de imposto. Quebram quando transformam quem produz em inimigo político.
Os dados estão aí. São oficiais. São públicos.
Negá-los é opção ideológica. Enfrentá-los é obrigação de governo.
Fontes
Mapa de Empresas – MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços)
Serasa Experian – Inadimplência e recuperações judiciais
Fenacon – Levantamentos do setor contábil
Banco Central do Brasil – Política monetária e taxa de juros
Banco Mundial (Doing Business) – Complexidade tributária
OCDE – Carga e sistema


















