Ações da varejista lideraram as perdas no primeiro pregão após o resultado eleitoral. Luiza Trajano defendeu a tributação de compras internacionais, medida que encareceu produtos adquiridos por milhões de brasileiros.
O Magazine Luiza, uma das maiores redes varejistas do país, protagonizou um dos maiores tombos da Bolsa brasileira após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 26 de outubro, as ações da companhia despencaram 58,23%, encerrando o pregão a R$ 5,30.
O episódio chama atenção também pelo histórico de posicionamento de sua principal dirigente. Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração da empresa, defendeu publicamente a chamada taxa das blusinhas, imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, aprovado em 2024.
Na ocasião, a empresária argumentou que a tributação ajudaria a equilibrar a concorrência entre o comércio brasileiro e as plataformas estrangeiras. Também afirmou que a medida protegeria empregos e pequenas empresas nacionais. O consumidor, entretanto, passou a pagar mais caro por produtos importados de baixo valor.
A defesa da taxação alimentou o debate sobre os interesses do varejo nacional e o peso dos impostos sobre o consumidor. A discussão ganhou força porque empresas brasileiras e plataformas estrangeiras disputavam o mesmo mercado, mas enfrentavam estruturas tributárias diferentes.
Agora, a própria Magazine Luiza aparece entre as empresas mais penalizadas pelo mercado financeiro. No mesmo pregão, o Ibovespa caiu 13,88%, enquanto o dólar disparou 8,21%, chegando a R$ 5,40.
A queda das ações reflete a revisão das expectativas dos investidores diante do resultado eleitoral, das incertezas fiscais e da perspectiva de juros elevados. O varejo está entre os setores mais vulneráveis porque depende diretamente do crédito e do poder de compra das famílias.
A ironia do episódio está no contraste entre a defesa de uma política tributária que encareceu as compras internacionais e a forte desvalorização da empresa que tem uma das principais representantes dessa posição.
















