Braide transforma tragédia na saúde em discurso político antes da conclusão das investigações.
O aumento das mortes de crianças no Hospital da Criança, em São Luís, é um dos episódios mais dolorosos da saúde pública maranhense.
A investigação conduzida pelo Ministério Público busca esclarecer as causas do crescimento de 159% nos óbitos registrados nas UTIs da unidade, analisando possíveis falhas estruturais, assistenciais e administrativas.
Em meio à comoção, o pré-candidato ao Governo do Maranhão, Eduardo Braide, ex – prefeito de São Luís , passou a explorar o tema em manifestações públicas direcionadas a emissora após reportagem sucinta do Sistema Mirante de Comunicação. Braide mistura responsabilidade com politicagem.
A postura chamou atenção porque ocorre antes da conclusão das apurações e da definição das responsabilidades pelos órgãos competentes.
A cobrança por respostas é legítima e faz parte do debate democrático. O problema surge quando uma tragédia humana passa a ser utilizada como instrumento de disputa política.
Antes de qualquer conclusão oficial, famílias enlutadas ainda aguardam respostas, enquanto investigadores trabalham para identificar se houve negligência, falhas médicas, falta de estrutura ou outros fatores que contribuíram para os óbitos.
O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), classificou como “mentirosas” e “canalhice” as reportagens da TV Mirante que revelaram uma investigação do Ministério Público sobre o aumento de mortes e supostas irregularidades nas UTIs do Hospital da Criança. Braide afirmou que a emissora inventou os dados para beneficiar adversários políticos .
Ao antecipar um discurso político sobre um caso ainda em investigação, o risco é deslocar o foco daquilo que realmente importa: a apuração rigorosa dos fatos, a responsabilização de quem eventualmente tenha falhado e a adoção de medidas para evitar que novas mortes ocorram.
A sociedade espera que líderes públicos atuem com responsabilidade. Diante da perda de vidas infantis, o compromisso prioritário deveria ser com a verdade, o respeito às famílias e o fortalecimento das investigações, e não com a exploração de uma tragédia que exige prudência, sensibilidade e compromisso com os fatos.

















