Parlamentar aponta contradições de deputados ligados ao dinismo e afirma que críticas atuais não condizem com a postura adotada no passado.
O deputado estadual Dr. Yglésio (PRD) subiu ao plenário da Assembleia Legislativa do Maranhão nesta terça -feira (02) e transformou seu discurso numa peça de acusação grave. O alvo: parlamentares identificados com o grupo político do ex-governador e hoje ministro Flávio Dino, a quem o parlamentar responsabilizou por um padrão sistemático de hipocrisia, nepotismo e oportunismo.
“Não vi nenhum ânimo de revolta quando se beneficiaram”, disse Yglésio, numa frase que resume o eixo de suas críticas. Para o deputado, os dinistas só encontraram coragem para questionar o governo atual porque o fluxo de benesses secou. Enquanto as vantagens circulavam, o silêncio era a resposta.
Um dos episódios evocados por Yglésio como prova do oportunismo é concreto e geograficamente situado: a entrega, ainda na gestão Dino, da ponte entre os municípios de Central e Bequimão em estado incompleto, sem a cabeceira concluída e sem a estrada que deveria integrá-la ao sistema viário local. A obra foi celebrada. Os reparos, nenhum.
A linguagem do parlamentar dispensou eufemismos. “São uns tigrões para falar o que querem, para arrotar pureza, dizer que agora nada presta. Mas são uns pequeninos ratinhos quando era aqui o benefício que colhiam. É essa hipocrisia”, afirmou do microfone.
O ataque não ficou no campo das convicções. Yglésio detalhou práticas que, segundo ele, revelam o que chamou de “brotos oligárquicos” cultivados pelos próprios que hoje discursam contra oligarquias. “Falam de oligarquia, mas quem foi indicado ao cargo de suplente de senador foi a esposa; o outro tinha irmão na Seduc; o outro fez o partido e colocou o pai na direção”, enumerou, conferindo ao discurso o peso de uma lista de inconsistências verificáveis.

Há ainda uma outra dimensão no episódio que o deputado explorou com precisão cirúrgica: o esvaziamento deliberado do plenário sempre que ele ocupa a tribuna. Para Yglésio, o movimento não é casual. “Sabe por que não tem oposicionista no plenário? Porque eles sabem que lá no meu gabinete está tudo comprovado”, concluiu, sugerindo que os documentos que sustentam suas acusações existem e estão acessíveis.
















